May 30, 2016

Como sobreviver a notícias horríveis: um guia prático

Oi, astronautas! Como vocês estão?

Faz uma semana que voltei do Rio e ainda não parei quieta. Não sei quem foi que decidiu que ser sociável é algo relaxante, mas essa pessoa estava bem errada. Ser sociável é ótimo, é divertido, mas não é nenhum pouco relaxante. E, sendo uma pessoa que faz pouquíssimas coisas normalmente, devo dizer que passar mais de uma semana quase não parando em casa tem me deixado bem cansada (mas com várias coisas pra contar pras migas, yay!).

Eu voltei pra São Paulo na terça-feira, e ainda é estranho pensar que estava dormindo do lado da Teco e da Sofia há tão pouco tempo. Aí, já na quarta já tive uma reunião (projetos novos virão!!!) e de lá fui direto pra uma festa muito maneira. O que aprendi com isso é que é possível uma roupa pra festa casual cheia de glitter ser a mesma para uma reunião de negócios, por mais absurdo que isso pareça. Um dia monto o look de novo e tiro uma foto pra vocês verem. Também aprendi que eu tenho uma capacidade muito estranha de conseguir me concentrar em podcasts às quatro e meia da manhã depois de uma festa lok. E, claro, que também tenho habilidade maravilhosa para fazer maquiagem de glitter nas pessoas - o que me fez pensar seriamente em largar a faculdade e me tornar maquiadora de festa infantil.

Não sei o que aconteceu que a imagem não tá ficando na posição certa, mas enfim: vocês acham que as crianças e suas mães vão curtir a marca dos comensais da morte em glitter?

Quarta-feira foi um dia de grandes revelações, mas não foi de longe o único dia movimentado da semana, nem o mais cheio de insights. Sexta, por exemplo, encontrei com uma amiga minha que está no primeiro ano da faculdade, em greve, e cheia de dramas sobre a vida e o futuro e o-que-raios-vou-fazer-da-minha-vida. A gente conversou muito sobre tudo o que ela pensa e quer da vida e, no fim, eu a ajudei a fazer um mapa conceitual pra ajuda-la a entender melhor as coisas que ela quer; isso acabou me inspirando a fazer o mesmo quando voltei pra casa, o que foi uma ótima forma de organizar melhor minha cabeça e meus próximos passos. Inclusive, se você está com dificuldades em tomar decisões voltadas ao futuro, recomendo 100% fazer esse mapa. Inventei esse método no primeiro ano de faculdade e é uma das coisas que mais me ajuda a entender melhor o que raios eu realmente quero.

Eu vi um montão de migues essa semana, fui ao cinema ver pela primeira vez X-men, almocei fora, fui em muitos cafés, ouvi podcasts, tive dificuldade pra dormir, não parei quieta. E, por não ter parado quieta, eu tive a sorte grande de ter conseguido evitar ao máximo todas as notícias horríveis que aconteceram essa semana e, principalmente, os desdobramentos delas nas redes sociais estou olhando pra você, facebook. Então, a melhor coisa dessa semana foi que eu não li sem querer nenhum caso de estupro, nenhum caso de racismo, nenhum caso de violência contra ninguém. É claro que eu soube das notícias e fiquei mal com todas elas, mas não li nenhum textão e nenhum textinho sobre o assunto, o que tirou um peso enorme desses casos, o peso da repercussão. 


Assim, hoje na newsletter trago uma dica de ouro a todo mundo: se algo te faz mal, evite o máximo que você conseguir. Isso significa que você não vai ler os milhões de posts sobre mulheres estupradas no seu feed de notícias. Você já sabe que essas coisas acontecem aos montes, que são horríveis, que são uma violência enorme e você não tem que saber de cada caso específico sobre o assunto. Se você sabe que não vai conseguir não ler essas coisas se entrar no fb, minha dica também de ouro é: exclua o aplicativo do seu celular. Só entre quando realmente precisar. Você não só vai ganhar um tempo enorme pra ser mais (ou menos hehe) produtiva, como também não vai levar apunhaladas surpresa de histórias horríveis que rondam seus maiores medos. Aliás, já que estamos falando sobre isso, vou aproveitar e pedir encarecidamente que parem de falar sobre violências sem avisar antes que vão falar disso. Como estou com preguiça de desenvolver isso, deixo aqui o que disse no fb:


Mas pra você que sofre do mesmo problema que eu, que é exatamente esse de notícias horríveis serem gatilhos enormes e afetarem sua saúde mental, vou continuar com algumas dicas. Depois de deletar o fb do seu celular, colocar trigger warning nos sites e pular (ou mesmo parar de seguir) tweets sobre assuntos que te deixam mal, você pode aproveitar esse tempo que você se deu para:
1. ler matérias interessantes e/ou boas vibes não relacionada a violências e opressões sofridas pelas pessoas do mundo;
2. ler livros que você queria muito ler mas não tinha tempo antes;
3. ouvir podcasts sobre coisas que você gosta;
4. ouvir músicas que te deixam feliz;
5. escrever, fazer listas, criar mapa astral de personagens fictícios, colocar personagens aleatórios em casas de Hogwarts etc.;
6. conversar com migues no zap, pelo telefone, ao vivo etc.;
7. responder minhas newsletters;
8. observar as pessoas de um jeito possivelmente esquisito, mas que todo mundo faz porque é bem divertido apesar de meio creepy;
9. desenhar;
10. amar o Harry Styles.

Além disso, você pode sempre tentar ocupar sua cabeça com outras coisas quando notícias te afetam tanto (como, por exemplo, me afetam). Além de ler livros, ver filmes, ouvir músicas e podcasts não relacionados a opressões, violências e guerras (ou seja: nada de ver Jogos Vorazes pra relaxar; falo por experiência própria que não dá certo), você pode sempre buscar outros assuntos para consumir seus pensamentos. Talvez se focar mais em algo da sua vida - trabalho, relacionamento com mozão, migues ou família, pets, aquele seu hobby maneiro (dança, luta, futebol, circo, teatro etc.) - seja uma boa opção, especialmente para pessoas que já são muito ocupadas e que não têm condições de se ocupar mais ainda.

Mas se você é uma pessoa com tempo, uma dica é sempre entrar num projeto - que pode ser pessoal ou coletivo - que te motive e te ocupe a fazer algo. Pode ser criar uma revista online para adolescentes com mais 120 garotas, pode ser desenhar personagens da Lufa-lufa sendo badboys/ badgirls, pode ser um projeto de colagens com fotos que você tem na gaveta. Eu já pratiquei todas essas ideias e, olha, ajuda muito. Mas existem outras ideias também! Você pode visitar um bairro da sua cidade e relatar o que você descobriu; você pode começar a fazer uma dança que você sempre quis; você pode começar a fazer yoga ou blogilates, você pode começar a escrever aquele livro que tá engavetado, você pode descobrir novos jogos de vídeo game! E você, sendo uma pessoa ocupada ou não, pode e deve se cercar de pessoas que te fazem bem, que são otimistas e positivas. Você pode se esforçar pra ver as coisas boas da vida também.

Ultimamente tenho feito todas essas coisas que indiquei pra vocês e estou muito melhor. O que descobri praticando tudo isso é que não é porque você evita certas coisas que você é uma pessoa alienada. Você só está se poupando de coisas que te fazem mal. Você continua consciente dos problemas do mundo, continua fazendo coisas para mudar o que discorda, continua sendo ativa. Você só está agora fazendo tudo isso enquanto poupa sua saúde mental e seu emocional. E isso é imprescindível. Se você não está estável, você também não pode ajudar em muito nas lutas que toma para si.

Todo mundo sabe que tem muita coisa horrível por aí, mas nos deixar consumir por isso não ajuda em nada. Se você está saudável, feliz, emocionalmente estável, com energia e força, você pode fazer muito mais coisas, você pode ir muito além do que apenas ler as notícias compartilhadas no facebook e se sentir mal por causa delas. No fim das contas, não adianta nada querer salvar o mundo se antes nós mesmos não estamos salvos. Isso não é egoísmo, isso é apenas uma condição para conseguir fazer as outras coisas da vida - inclusive mudar o mundo. Então, quando vier aquelas mil pessoas compartilhando textão, quando vier gente só falar de coisa ruim pro seu lado, quando o mundo parecer o pior lugar do universo, não esqueça que é aqui que temos oxigênio pra sobreviver e repita comigo:



Não se deixe consumir pelo horror do mundo!!! Não se torne o Magneto!!!

Beijoks,
Clara.