May 24, 2017

rascimp #16: uma newsletter de aniversário

QUARTA, 24 DE MAIO DE 2017
Como boa overthinker que sou, ando pensando demais nessa coisa de escrever-na-internet, principalmente quando sua "linha editorial" é não-ter-linha-editorial e seu principal tema é você mesma.

Parece que ninguém mais escreve sobre si mesmo online. Quero dizer, é claro que nossos perfis nas redes sociais geralmente são egocentrados, mas nos blogs, sites e páginas por aí o assunto é cada vez menos as pessoas e suas banalidades. Pelo menos na minha bolha, o que vejo são blogs pessoais sendo abandonados, deletados ou transformados em blogs de nicho. Quem antes mantinha um blog pessoal tem desistido de escrever ou tá indo escrever em outros canais, falar de feminismo, de cultura pop, de minimalismo ou qualquer outro assunto. Muita gente largou mão do texto e foi fazer vídeo. Muita gente abandonou o "diário virtual" e voltou pro diário de papel. E tem a galera que migrou para as newsletters, seja para escrever sobre um tema específico, seja para escrever quase como era na blogosfera de outrora.

Não digo nada disso como uma crítica ou qualquer coisa do tipo. São apenas constatações. É apenas o que eu observo acontecendo e nem sei mesmo qual é a minha opinião. Só sei que tudo isso me deixa meio mal, meio chateada.

Porque eu amo a blogosfera. Eu sempre defendi os blogs e, particularmente, os blogs pessoais. Eu escrevo-na-internet desde 2003, quando eu tinha 12 anos, e isso acabou se tornando uma parte importante de mim. Escrever-na-internet mudou minha vida em muitos sentidos. Não como aconteceu com a Lia Camargo, a Bruna Vieira ou qualquer outra celebridade de internet que fez fortuna e construiu um pequeno (e às vezes não tão pequeno) império do seu quarto em casa. Neste sentido, meu blog é um "fracasso". As estatísticas são vergonhosas. Os acessos têm caído vertiginosamente. A maioria dos posts não tem um único comentário. E eu não consigo manter uma frequência de atualização decente há alguns anos. Nunca ganhei um centavo com o blog. Não encontrei meu chamado, minha vocação, nem nada do tipo. Nem trabalhar com escrita ou internet eu trabalho. Mas o blog sempre teve uma importância imensa para mim. Uma importância que talvez nem tenha mais. Uma importância que eu provavelmente não saberia explicar direito.

É essa importância, porém, que me levou a sempre defender os blogs pessoais. É o que me leva a ficar chateada a cada vez que um blog querido se transforma num negócio, mesmo quando isso não necessariamente mude muita coisa para mim como leitora. É o que me levou a literalmente chorar quando a Anna encerrou os trabalhos no So Contagious, mesmo sabendo que eu continuaria lendo o que ela escreve por aí (não, ainda não superei) (desculpa, Anna, sou dramática mesmo). É o que me impede de deletar o Sem Formol ainda que eu não me sinta motivada a escrever nele mais. É o que me impede de levar a newsletter a sério porque sempre sinto como se estivesse traindo, de certa forma, a blogosfera. (Eu sei, eu sei, eu sou ridícula.)


Eu me sinto meio estúpida por causa deste meu apego besta à blogosfera. Me sinto meio idiota quando começo a ser corroída por uma culpa infinita porque não ando postando no blog. E daí me sinto mal pelo tempo perdido produzindo posts que terão tão pouca repercussão.

Há um ano, eu criei a Rascunhos Impublicáveis buscando muito daquilo que a blogosfera não me oferecia mais. A princípio, a ideia era manter a newsletter e o blog e ir descobrindo que tipo de coisa eu queria escrever em cada lugar. Eu tinha certeza que eu queria manter o blog e eu sabia que queria muito me aventurar no mundo das newsletters. Hoje, um ano depois, tenho mais perguntas do que respostas. Me questiono se ainda há espaço na internet para o tipo de coisa que eu escrevo, este conteúdo tão singelo e besta e meio egocêntrico que eu adoro tanto. E vejo que não sou só eu que ando me questionando sobre isso. Num mundo com tanta informação, quem tem tempo e paciência e disposição para se sentar e ler mais um textão sobre a síndrome da impostora da amiga ou aquele causo que não vai acrescentar em nada na sua vida? Mesmo eu, a apegada do textão pessoal, me vejo priorizando o conteúdo que acho mais "relevante", que "vai mudar minha vida" ou qualquer coisa assim.

Hoje é aniversário da newsletter e eu queria estar aqui fazendo um textão feliz sobre como escrever-uma-newsletter mudou minha vida para melhor. Um textão como eram minhas odes à blogosfera antigamente. Infelizmente, não vai rolar. O textão de hoje é só um desabafo sem conclusão nenhuma e um convite para você que ainda dedica um pouco do seu precioso tempo a ler esta palerma aqui (aliás, obrigada ♥) me contar o que você acha disso tudo. Me conta o que você pensa, se você também escreve ou já escreveu na internet, sobre o que escreve, o que você gosta de ler online, como faz para escolher o que vai ler nesta imensidão de conteúdo e o que mais você quiser.
 

Por hoje, miga, é isso. Ainda não sei qual é o futuro da newsletter ou do blog. Como eu disse, no momento, tenho mais perguntas do que respostas - e é por isso que o seu feedback é muito bem-vindo.

Sei que muitos sentem faltam das indicações, links, etc. no fim da cartinha, mas hoje não vai rolar, tá? Talvez numa próxima ocasião.

Enquanto isso, as Linkagens de Segunda meio que voltaram lá no blog, então você pode conferir alguns links legais por lá. No meu Twitter e no arroba do blog sempre tem dicas legais também.

Até a próxima!

Beijos aniversariantes,
Daninoca