May 24, 2016

Rascunhos impúblicáveis #1: dos rascunhos impublicáveis


Olá,

Antes de começar esta primeira edição, eu gostaria de
  1. agradece-la por ter assinado esta newsletter e embarcado nessa comigo ♥ e
  2. pedir perdão antecipado pois eu realmente não sei bem o que estou fazendo aqui.
Acredito que você me conheça do meu blog, o Sem Formol Não Alisa, e, portanto, já saiba um pouquinho sobre mim. Isso é ótimo pois já me facilita a vida: sou péssima com apresentações. Nunca sei o que dizer, como construir as frases (?), quais são as informações relevantes naquele contexto. Sinto que erro até mesmo na hora de dizer meu nome. Nunca sei se me apresento com o apelido para evitar que me chamem de Daniela (odeio que me chamem de Daniela) ou digo o nome todo para evitar que me chamem de Daniele (odeio que me chamem de Daniele).

Há alguns meses, ao me perguntarem a profissão para preencher um cadastro, eu disse "desempregada" e levei um cutucão aborrecido do meu pai. Era a minha primeira chance de me apresentar como engenheira ambiental fora do contexto do job hunt (em inglês me soa menos doloroso) e eu a desperdicei pois Não Sei O Que Acontece. Às vezes, as coisas mais simples do mundo podem parecer bichos de sete cabeça pra gente.

Por isso, saber que você provavelmente já me conhece e que, caso não conheça, pode ir lá no blog ou lá no Twitter ou lá em qualquer outra rede social minha e descobrir me deixa bem mais tranquila. Pulamos este passo chato e podemos partir para o que interessa.

Mas o que interessa?

Eu realmente não sei.
 

Eu decidi que ia criar uma newsletter no último domingo. Por mais que eu estivesse pensando a respeito há meses, foi só no último domingo, diante de mais um post que desisti de publicar no blog, que eu decidi de fato o fazer.

Essa coisa toda de newsletter é nova pra mim. Pelo menos isso de newsletter que traz conteúdo inédito ao invés de ser simplesmente divulgação de conteúdo já publicado e, principalmente, de newsletter mais pessoal, com aquela vibe de blog do início dos anos 2000, quando a expressão "diário virtual" fazia muito sentido (saudades).

Inicialmente, eu não entendi muito o apelo dessa nova forma de escrever na internet. Eu me empolgava com a possibilidade de ler mais de amigas e gente que admiro pra caralho e que eu já acompanhava em outros lugares e, principalmente, de ler amigas e gente que admiro pra caralho que haviam desistido de escrever em seus blogs e estavam voltando neste formato novo. Mas eu não entendia porque essas pessoas não podiam simplesmente publicar estes textos num blog ou no Medium, principalmente quando alguns destes textos eram replicados justamente nestes espaços.

Só que daí eu fui assinando mais newsletters e mais amigas foram criando as suas e eu fui conversando mais com gente que escreve newsletter e lendo mais sobre escrever newsletters e fui entendendo a motivação de cada uma dessas pessoas. (Recomendo principalmente este texto da Aline Valek e este post da Anna.)

Foi aí que eu percebi que talvez criar uma newsletter fosse uma boa ideia para mim.

Eu amo escrever. Desde muito pequenininha, quando antes mesmo de aprender a ler e escrever, eu decidi que queria ser escritora, sem perceber que, de certa forma, eu já o era.

Sempre fui falante, gosto de contar histórias, de refletir sobre assuntos em voz alta, ainda que só pra mim mesma (sim, eu falo sozinha e acho ótimo) (Dumbledore também acha). Mas, sendo menina, aprendi desde pequena que devia ficar calada, falar baixo, gesticular menos e, principalmente, dar menos opinião. Ser reprimida por falar teve duas consequências importantes na minha vida: me tornou extremamente tímida (sigo falante, mas apenas com aquelas poucas pessoas com quem me sinto confortável) e me incentivou a escrever cada vez mais (e, claro, a falar sozinha).

Gosto de pensar que nós tomos podemos ser escritores e também nos considerar escritores. Não importa se você nunca publicou um livro ou nem mesmo um texto que seja em qualquer lugar. Não importa que você não ganhe um centavo para fazer isso ou que você nunca tenha nem ao menos dado um texto teu para alguém próximo ler. Não importa nem mesmo se você não sabe escrever e o tem que fazer ditando a alguém ou mesmo falando sozinha ou contando suas histórias pras pessoas, como eu costumava fazer quando tinha 4 anos. Se você acha que é escritora, miga, você é.

Assumir que eu sou escritora, independentemente da profissão que escolhi e do quão desatualizado está meu blog, foi muito importante para mim pois defini o lugar que escrever tinha na minha vida. Eu sempre soube que era algo importante pra mim, mas é naqueles momentos em que não consigo escrever que percebo o quão importante de fato é.

Ultimamente, escrever tem sido muito difícil. Pela primeira vez em anos (quase 8 anos, pra ser mais exata), eu tenho tempo. Ao contrário do que acontecia na maioria das vezes, eu tenho ideias e, mais do que isso, eu tenho vontade de escrever. Mas não flui. Sento na frente do computador com um punhado de ideias na cabeça e nada sai. E, quando algo calha de sair, nunca publico. Nunca está bom o suficiente. E, muitas vezes, ainda que a qualidade do texto me agrade, pensar no alcance que aquele texto pode ter, pensar nas pessoas que poderão o ler e nas consequências que isso poderá ter me impede de clicar no "publicar". Vai que alguém me interprete mal? Vai que alguém se sinta ofendido? Vai que alguém use aquilo contra mim?

É aí que a newsletter entra. Estes textos não publicados provavelmente não estão fazendo nenhuma falta na internet, com tanta informação sendo produzida o tempo todo. Mas estes textos estão fazendo falta pra mim. Eu quero escrever. E eu quero escrever com menos amarras. Quero escrever sem roteiro e sem revisão e sem me preocupar se está tudo certinho ou mesmo se está conciso, se faz sentido. Quero escrever sem me preocupar se eu estou me expondo demais ou expondo demais alguém que amo. Sem me preocupar que pessoa x ou y poderá ler e que, bem, poderá dar em merda.

Quero escrever com a mesma liberdade (ou quase) que eu o fazia em 2003, no Blig da Dani (pois é). Quero me sentir acolhida e segura escrevendo na internet novamente e acredito que a newsletter possa ser esse refúgio.

O blog segue existindo e acredito que logo eu consiga determinar qual o espaço que cada um destes espaços terá na minha vida: newsletter, blog e até mesmo o Medium. E, claro, vocês podem me ajudar a me direcionar, a saber que tipo de texto publicar em cada lugar, que tipo de coisa vocês gostariam de ver por aqui e por lá.

Comentários, replies, mentions e, agora, respostas são sempre bem vindos ♥
 

Acredito que, a essa altura, vocês já tenham entendido de onde surgiu o nome da newsletter e qual será mais ou menos a "linha editorial" daqui. Ainda não me decidi quanto a uma periodicidade, embora eu goste da ideia de a newsletter ter uma periodicidade definida. Penso em algo semanal ou quinzenal, mas ainda não faço ideia de qual dia da semana seria o melhor. Por favor, me digam o que vocês pensam, ok?
Abraços,
Dani