January 24, 2017

[drops #29] coisas acontecem

- Sabe mãe, ainda não sei é melhor ou pior estar cercada de casais "realizados". Por um lado é bom, porque me faz ver que o amor existe e pode sim dar certo; mas por outro é ruim, porque posso estar acreditando em algo que talvez não aconteça mais para mim...

- Pois é, Naná: tanto pode acontecer, como pode não acontecer. E você vai ter que lidar com isso

Na época em que isso aconteceu, eu deveria ter meus 25, e recentemente tinha terminado um longo relacionamento de anos e planos. Eu acho graça dessa história e da naturalidade com que minha mãe me respondeu isso; e conto para todo mundo como exemplo de um retrato preciso do que é ser 'filha de psicóloga': acho que, qualquer outra mãe, diante desta situação, diria algo como "imagina, você ainda é muito jovem, lógico que vai acontecer, deixa de bobagem". Mas minha mãe não passa a mão na minha cabeça dizendo que tudo vai dar certo, não: ela quer que eu esteja preparada para quando as coisas derem errado também. E isso é uma lição que carrego pra vida.

Eu sei que nós, aqui no nosso mundinho de tentar ser nossa melhor versão todos os dias, de evoluir e se entregar e aprender e se dedicar; acreditamos que temos algum controle sobre o resultado das nossas ações. Mas a grande verdade é que, muitas vezes, nós não temos. Coisas acontecem. O tempo todo. O pneu fura, o gás acaba, a roupa que a gente queria entra na liquidação, uma tempestade alaga um cômodo, a gente se apaixona, o voo é cancelado, a gente é demitido, a gente é promovido, uma lâmpada queima, um relacionamento termina, alguém nos xinga sem propósito, alguém nos elogia de propósito, mercúrio fica retrógrado, uma pessoa cede o lugar na fila, uma pessoa querida morre abruptamente, surge um dinheiro inesperado, a gente torce o pé ao atravessar a rua, a gente realiza um grande sonho, a frente fria traz chuva, a gente ganha um presente, alguém nos rouba um beijo aguardado. As 'coisas' vêm e vão, elas são o que são. E nós devemos ficar em paz com isso.

A única pessoa capaz de atribuir significado ao que nos acontece somos nós mesmos. Todos nós, todos os dias, somos impactados por grandes ou pequenos acontecimentos que fogem ao nosso controle. Alguns têm um poder grande de nos tirar do eixo e parecem não ter explicação, como a morte. Mas é nossa maneira de lidar com isso que faz a diferença: é nos reconhecermos vivos

Em outra situação importante para a minha família, uns anos depois, minha mãe usou a mesma sabedoria:

"Isso não depende mais da sua vontade: isso está acontecendo, quer você queira ou não. Você vai lidar bem ou vai lidar mal?"

Para tudo que acontece na minha vida e que pede certa reflexão, eu tento deixar meu eu-mimado para trás - esse nosso ego iludido que acha que tem algum controle sobre qualquer coisa, que acredita que os acontecimentos têm que seguir qualquer que seja a trajetória que nós esperamos para eles. E, ao dar essa recuada e encarar os fatos, apenas pensar: "Isso está acontecendo, independentemente da minha vontade. E meu único poder sobre isso é escolher como lidar, com os recursos que tenho, da melhor maneira que eu conseguir."
 

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exercício das pequenas coisas para deixar seu dia mais leve, bonito e colorido: 


se uma das suas metas para 2017 era "viajar mais" (pra mim sempre é! ;), eu posso te ajudar: o uol fez uma matéria com oito maneiras de economizar em viagens em 2017. eles também listaram 12 tipos de viagem para fazer pelo menos uma vez na vida (feliz quando vi que já fiz algumas, mas que ainda tenho muito mais para fazer! :) 
no buzzfeed, 25 fotos que vão te convencer a passar 2017 viajando. e, para descontrair, um vídeo da rainha raíza com dicas para se tornar um(a) blogueiro(a) de viagem de sucesso. como não amar alguém que não se leva nem um pouco a sério? 

quando essas "coisas acontecem" e são mais graves, às vezes é difícil não se abater - em muitos momentos, nos vemos cercados de tragédias e é um grande exercício de resiliência seguir em frente. para situações como essas, esta matéria com dicas para superar os pensamentos negativos pode trazer algum conforto. outra coisa que me ajuda muito em fases de aflição é sentir que estou ajudando alguém: isso me dá um senso de pertencimento e propósito, de levar minhas gotinhas de água no bico e fazer a minha parte. se você quiser começar, que tal algum tipo de voluntariado? este artigo da folha traz 18 instituições para fazer trabalho voluntário (até sem sair de casa, se for preciso ;)

amanhã é aniversário de são paulo - e, apesar da cidade estar tomada com programação festiva, o tempo cinzento e molhado que tem feito nos últimos dez dias pede um edredom e chá quentinho (e feriado no meio da semana é ótimo para dar uma recarregada né? ;)
uma boa dica é esse post com 6 filmes feministas no netflix - um "passatempo com conteúdo", para refletirmos sobre o papel da mulher na sociedade e as questões (contemporâneas ou não) de gênero. 



já que durante janeiro praticamente inteiro ainda estamos na onda de ano-novo-vida-nova, que tal usar o astral geral de limpeza para aproveitar o embalo e superar um amor que acabou? em how to get over someone (seria algo parecido com "como esquecer alguém", com legendas em português), alain de botton nos mostra que a gente acaba se apegando a um amor passado como uma maneira de, de certa forma, ainda ter amor em nossas vidas, sem ter que lidar com as angústias cotidianas que vêm com de fato ter alguém e viver um relacionamento. ele propõe um exercício de autoconhecimento para entender certos medos e se abrir para o novo (e, quando algo realmente já terminou, "tudo novo no ano" novo não é exatamente o que queremos? :)


até a próxima terça!

um grande beijo,
com amor